Exposição "O Corpo na Arte: Instrumento, Plasticidade e Suporte"

O Corpo na Arte: instrumento, plasticidade e suporte
Ana Zavadil‐ Curadora

O Corpo humano se tornou um conceito privilegiado para a arte e a partir dos anos de 1950, já liberto de sua iconografia secular, passa a ser considerado como expressão em si mesmo.
O corpo representado através da pintura atravessou séculos, o corpo usado como suporte,
matéria ou ação é mais recente, como no caso das performances ou das modificações, ou seja, por meio de tatuagens ou intervenções onde a dor ou a mutilação se tornaram componentes estéticos.
Nos trabalhos desta exposição os artistas usaram diferentes suportes e técnicas para criarem
os seus trabalhos que vão desde o registro fotográfico de performances, a representação do
corpo através da plasticidade e, também, o próprio corpo do artista usado como instrumento
para a construção da obra, pois, desde Jackson Pollock (1912‐1956) houve uma valorização do movimento e da gestualidade na pintura. Também o artista Hélio Oiticica (1937‐1980)
considerou o corpo e a motricidade do seu público nas obras, cabe lembrar aqui os Parangolés (pinturas vestíveis).
O corpo representado nestes trabalhos traz reflexões: ora demonstra leveza ou magia; ora
suscita pensamentos sobre o sofrimento ou o juízo final; outras vezes aborda questões de
gênero; ou transita pelo caos da contemporaneidade, ou ainda revela a sua poesia.
O corpo (com pés e cabeças) aguça os sentidos fazendo o observador viajar por caminhos reais ou metafóricos, sutis ou espinhentos na busca da apreensão dos significados ali contidos.
Cada trabalho evoca uma particularidade própria e no contexto museológico tem a capacidade de geração de conhecimento e de ressignificação, mediante o diálogo que estabelece com os outros trabalhos da exposição, pois, enfatiza o seu potencial estético a partir destas novas relações.